Economia tem fundamentais sólidos –

BCE afasta baixar juros e diz que pior da crise ainda aí vem

2008/03/26   13:22Paula Gonçalves Martins

(Actualiza com mais declarações do presidente do BCE)O pior da crise financeira pode estar ainda por vir. E o mais certo é os juros não descerem tão depressa. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, prevê que a taxa de inflação da Zona Euro acabe por ficar acima do tecto de 2%, traçado pela própria instituição, durante a maior parte do ano. Uma previsão apresentada pelo responsável num discurso perante o parlamento Europeu e que, a verificar-se, pode representar um entrave à descida das taxas de juro. Trichet afirmou que o crescimento dos salários poderá ser maior do que se esperava na Zona Euro e reiterou a existência de riscos altistas para os preços a médio prazo. A subida dos preços deve-se sobretudo ao aumento dos preços do petróleo e dos alimentos. Além da ameaça da inflação, o presidente voltou a sublinhar que a economia europeia tem fundamentais sólidos, o que mitiga a necessidade de descer as taxas de juro para estimular o consumo devido à crise. «A actual política monetária vai contribuir para atingirmos o objectivo de estabilidade de preços», afirmou, dando a entender que os juros não vão baixar na reunião marcada para esta quinta-feira. Crise ainda vai dar que falar O presidente do Banco Central Europeu considera que «o pior da crise financeira actual ainda não passou. Não direi que o pior está para trás», afirmou, acrescentando que a crise está «em curso». Trichet sublinhou a incerteza que paira sobre as perspectivas de crescimento da economia e que permanece substancialmente elevada e adiantou que os principais riscos se prendem com as importantes correcções nos mercados financeiros.

  

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Crise financeira e escalada do preço das matérias-primas afectam crescimento da economia europeiaApesar dos «ventos contrários cada vez mais fortes» a zona euro tem conseguido manter os seus pilares «sólidos». Esta é uma das conclusões presentes no relatório trimestral da Comissão Europeia (CE) que analisa a evolução da economia. O comissário que tutela a área de Economia e Finança, Joaquín Almunia, reconhece, no entanto, «que a zona euro já sentiu o beliscão da crise», refere em comunicado. De acordo como o mesmo relatório, a economia europeia é afectada por vários factores. É o caso da incerteza quanto à duração da crise financeira, a crise económica dos EUA e a escalada contínua do preço das matérias-primas. Todos estes factores já estão a afectar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro. De acordo com o relatório trimestral, o PIB desacelerou de 2,6% no terceiro trimestre, para uma variação homóloga de 2,2% no trimestre passado. Assim, a Comissão Europeia mantém a previsão já divulgada em Fevereiro e que aponta para uma expansão de 1,8% no PIB em 2008. Na base desta desaceleração está o enfraquecimento no consumo privado. De acordo com a CE, o investimento e a produtividade no sector não financeiro continuam a não ser encorajadores. 

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